Aluna do José Cândido fala da dor de não se enturmar
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| O isolamento faz com que nos sintamos invisíveis |
Ser adolescente e não se sentir parte de um grupo é uma experiência difícil que muitas pessoas vivenciam ou já vivenciaram. É assim que se sente Larissa, estudante do 8º B da E. E. José Cândido de Souza. Ela diz se sentir invisível, quase como um personagem secundário de um filme. Fala até em ter desistido: “Eu acho que estou tão acostumada a ser a segunda opção que eu nem me importo mais com isso.”
Na escola anterior, Larissa viveu o bullying mais pesado de sua vida, razão pela qual, no sétimo ano, transferiu-se para a José Cândido. A mudança de ambiente, porém, não bastou para fugir das agressões, que continuam até hoje. Ela é cotidianamente xingada pelos colegas, especialmente pelos meninos, que têm como principal alvo a aparência dela. Não raramente os insultos carregam um racismo velado, com expressões como “pé de barro”, “preta” e “neguinha” sendo ditas em tom pejorativo.
O bullying sofrido por Larissa não é um caso isolado. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), em 2019 cerca de 23% dos estudantes se sentiram humilhados pelos colegas duas ou mais vezes nos 30 dias anteriores à pesquisa. As meninas foram quem mais mencionaram os ataques, e os motivos mais frequentes foram, como no caso de Larissa, a aparência e a etnia.
A Larissa tem uma certa dificuldade com esses assuntos de ser “invisível”. Ela acha que com atitudes diferentes a escola poderia ser um ambiente melhor para todos os alunos: “Talvez se as pessoas pensassem no que estão fazendo ou se aproximassem mais, ou também se as pessoas fossem mais extrovertidas, eu acho que não passariam por isso.”
Texto por Samira Morozine, Erick Cauã, Stephani Sousa e Daniela Rocha, 9ºC 2023

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