A busca da felicidade também é política!
Ser mulher não é fácil, nunca foi e não será amanhã, contudo, a busca da felicidade é o que todos procuram. Mas quem cresce sendo mulher entende que sua felicidade é descrita com o homem dos seus sonhos como marido, filhos, trabalhos domésticos, estética, e claro, sempre mantendo a juventude até seus 70 anos.
‘‘Felicidade’’ de acordo com o dicionário, diz que o substantivo feminino significa sensação real de satisfação plena; estado de contentamento, de satisfação. Se parar e perguntar a uma mulher se ela está bem, você ouvirá uma respiração profunda, e se questionar o porquê ela sente isso, terá a resposta de que o extenso horário de trabalho fez com que só falasse com seus filhos no final de semana, pois sai de casa muito cedo e chega muito tarde. Já que o homem dos seus sonhos não assumiu as crianças e não paga pensão, ela tem que trabalhar o dobro.Felicidade para alguns é saúde, para outros é dinheiro. Já para mim, felicidade é o bem-estar nas pequenas coisas, é a satisfação de parar e perceber que estou viva. Independente da situação, com quem e onde estou, me torno feliz ao perceber que isso é só uma parte da minha vida.
Quando envelhecer, quero ter encontrado minha felicidade, e que essa felicidade me faça viver muitos anos. Por enquanto, esse é meu objetivo: encontrar algo que faça minha felicidade despertar e que assim, aproveite cada ciclo da minha vida na busca dela. Se algum dia encontrá-la, desejo ser uma senhora "tereré", assumindo minha velhice, flacidez, ossos fracos e dentadura.
Entendo que poucas mulheres veem essa palavra da mesma maneira que eu. Algumas delas até desconhecem-na, assim não fazendo mais sentido. A renda de algumas famílias, onde elas moram e outras coisas, podem ser a causa de tanta desinformação sobre a saúde da mulher. Alguns estudos apontam que ter autoconfiança, ter um tempo para si mesma, apoiar outras mulheres, atenção, impor limites e se cuidar são hábitos que trazem satisfação para as mulheres. Isso explica porque a maioria de nós é muito insegura e coloca nossas vidas em risco por outras pessoas.
A busca da felicidade é um problema de saúde pública, não apenas para nós mulheres, mas para todos. Porque se houver um projeto público só para um grupo, não haverá mudanças! A própria Lei da Maria da Penha, a lei propõe proteger a mulher, mas ainda temos vários casos de agressão dentro de casa. De acordo com o G1, os casos de violência contra mulher, menina e criança aumentaram 6,1%, e homicídio 1,2% entre 2021 e 2022. Sendo assim, em comparação a 2021, teve 1.437 registros a mais de violência e 1.347 de homicídios.
A Lei propõe "proteger" a mulher, mas nunca educar os agressores, tanto antes da violência quanto depois. Temos que saber tirar o problema pela raiz, e não ensinando as mulheres a se proteger, e sim, ensinando aos agressores desde sempre a tratar sobre sua saúde mental e física. Dessa maneira, teremos políticas públicas que realmente funcionam.
Por enquanto, só tratei de agressão física, mas temos a violência simbólica, que é uma violência que pode ser invisível, construindo um vínculo com o agressor de subjugação-submissão e assim a vítima se torna cúmplice da situação. Alguns exemplos de violência simbólica são ameaças, ciúmes, bullying, assédio moral e preconceitos.
Diante da pesquisa, afirmo que só encontraremos a nossa felicidade se estivermos saudáveis para que assim, não nos tornemos agressores das próximas gerações.
Texto por Luísa Sbordoni Gomes

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